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Conto aos Solteiros - João Fernandes

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Moderador Conto aos Solteiros - João Fernandes

Mensagem  João Pedro Fernandes Sil em Qua Nov 17, 2010 3:33 pm

Anoiteceu em Brasília. Estava sentado na cadeira de um estabelecimento daquela longa avenida. As luzes dos postes sobre a calçada e também na lataria dos carros propiciavam uma tonalidade amarelo-urbano à cidade.
Ela estava sentada do meu lado. Trocávamos olhares ligeiros, olhares assim, disfarçados. Eu, com minha vaga e convicta vida de solteiro, ela com um rostinho tão bonito e olhar felino, amendoado, envergonhado e de algum mistério.
Compreenda amigo, nós os solteiros com o passar dos anos, adquirimos várias características e, uma delas, além da desordem de nossos moradas, trata-se da iludida convicção de entender o complexo imaginário feminino.
Pois bem, abri a boca e disse um ´´ oi `` bem ´´ arredondado ``. Porém, que vergonha, percebi logo que demonstrara empolgação demais no cumprimento. Mas o que fazer? Já começara errado? Era o prenúncio de uma possível derrota?
Ela interrompeu as vozes que discutiam no meu interior dizendo um simples: ´´ oi, quanto tempo! ``, formando com os lábios um meigo sorriso.
Entenda, aquele sorriso junto com a graciosa harmonia de sua voz desmoronaram qualquer desejo cafajeste que em mim existisse. Aquele sorriso, não era apenas um mero sorriso. Isto é, era um ´´ elo `` metafísico entre o presente e o nosso passado, suscitando em mim variadas lembranças do tempo em que nós estudávamos juntos.
Correto, correto. ´´ Compostura`, avisou-me uma voz mental que há pouco recobrara os sentidos - levantei a mão e pedi um vinho para o garçom. A mulher me olhava com uma vista investigativa. Não se preocupe leitor, minha intenção não é alcoolizar minha companhia, mesmo que seja uma tentadora idéia.
Olhei-a bem nos olhos e lhe perguntei: ´´ E aí, como foi sua viagem para chegar a ´´ verdadeira `` cidade maravilhosa? ``. Anote e aprendam, as mulheres adoram que os homens demonstrem preocupação com aquilo que as ocorre, ainda que tudo não passe de puro fingimento.
De repente, de maneira rápida ela desviou a atenção para um canteiro de flores que decorava a entrada do bar e depois veio a me responder olhando para a mesa:
_ Ah, como sempre foi uma viagem cansativa. Tenho muitas coisas para fazer nesta cidade amanhã.
Bom, já deu pra perceber que minha companhia resguarda uma vaguidade espantadora. Aliás, a maioria das mulheres a contém, umas a demonstram mais, outras demonstraram menos. Contudo, uma coisa era certa e urgentemente necessária. Ela se demonstrava entediada, precisava eu aumentar o astral da conversa. Então disse:
_ Veja bem, pelo menos estamos agora aqui, nós dois, ´´ juntos ``.
Contenha o deboche leitor, eu tinha que dar alguma investida. Minha acompanhante (desculpe a expressão acompanhante, não achei outra que pudesse entrar na narrativa e por isso, desejo desde já afirmar uma coisa: ela não era nenhuma garota de programa). Voltando ao conto... Ela deu um sorrisinho desconcertado. É... Talvez as coisas estivessem fluindo bem... Ou talvez também, ela só estivesse pensando: ´´ Que idiota ``.
Depois disso, conversamos mais um pouco. Ela estava com as mãos sobre a mesa, demonstrava interesse no que eu lhe falava e ouvia-me assim, não vividamente, mas também não me parecia estar mais entediada. Olhei para o relógio e pensei que já seria bom eu pedir algo para nós comermos. Realmente, apenas sua presença já me satisfazia.
Satisfação é uma idéia interessante. Caso fosse outro dia, possivelmente, eu que rotineiramente freqüentava aquele estabelecimento, desejaria normalmente me empanturrar com qualquer coisa que o cardápio oferecesse. Mas hoje não, não sentia fome nenhuma.
Realmente, parecia-me que somente a presença da companhia feminina satisfazia meu estômago e alma. E outro motivo também justificatório para minha comedidão em relação à comida, seria o fato de não querer parecer despolido na frente de uma mulher tão bela.
Isso é muito importante leitor, lembro-me de uma vez num shopping quando eu ainda era iniciante nas técnicas da sedução e amor. Pedi um sanduíche do Mc` Donalds e outra de minhas acompanhantes pediu um sushi. Ela comia com uma classe tremenda manuseando aqueles palitinhos, eu, por minha vez, comia com os dedos lambrecados de queijo cheddar.
Pedimos uma massa e outro vinho. Em relação à bebida só tenho um comentário para vocês que me lêem: se estiver acompanhado de uma dama, beba apenas até o ponto de começar a ficar tonto, quando isso acontecer pare imediatamente. Porque senão, sua noite meu companheiro, acabará apenas em bebida, se é que entende bem essa minha indireta.
Comíamos e ríamos, agora leitor você entende a ´´ razão `` do álcool. Lembrávamos de eventos engraçados do passado, fazíamos piadas. E, realmente, por alguns instantes nem parecia a vida ser tão chateadamente rotineira assim. Ela olhava nos meus olhos, eu nos dela. De maneira lenta aproximei minha mão da sua mão e acariciei-a delicadamente.
Era uma pele suave, uma pele delicada, realmente sim, uma pele de mulher. Rapidamente ela tirou sua mãe de baixo da minha, mirei sua face, as suas bochechas estavam rosadas, que linda! Acho que agora é o momento de parar de beber...
_ Desculpa, não queria ter te deixado desconcertada... – afirmei com uma voz melancólica e surpreendendo-me, eu estava realmente chateado com minha atitude, seria efeito do álcool?
_Não, não tem nada... Vamos embora? – ela perguntou
Pedi a conta as pressas. Sabe, as mulheres a maioria das vezes não sabem o que realmente desejam, faz parte de sua existência confusa essa indecisão. Por esse motivo, grande parte das mesmas fica andando pelo mundo todas tontas, baratas doidas. Porém, de vez em quando também, as mulheres possuem ´´ lapsos nervosos `` de desejos que precisam ser atendidos de modo urgente, caso contrário: elas tornam-se ´´ feras `` agressivas ( este era um desses momentos certamente ).
Abri a porta do meu carro, ela entrou, saímos do estacionamento, contornamos algumas placas. Ela me disse que estava hospedada num hotel perto do ´´ lago da cidade ``, contornei a rótula e passamos pela ponte JK. Ainda bebíamos e ríamos ainda mais. Chegamos no hotel, desci do carro para abrir a porta para ela.
Um vento gelado tocou nossos corpos, um vento assim cortante. Ela segurou minha mão e olhando para o distante disse-me: ´´ Vamos dar uma volta pelo lago! ``. Creio que havia o perigo de um assalto, ainda mais nessas horas da noite, e também creio que se ela não estivesse parcialmente embriagada, não me faria tal convite.... Contudo, o que fazer? Aproveitar o instante lógico! Firmei mais um pouco nosso elo de mãos e fomos correndo assim, juntinhos até a beirada do lago. O clima estava muito mais gélido em suas proximidades.
Ela se aproximou de mim e retirou a garrafa de vinho quase vazia de minha mão e deu um último gole, jogando posteriormente o recipiente no chão que se quebrou em vários pedaços.
_ Você está doida? – eu perguntei
E ríamos feito dois idiotas, ríamos para as estrelas com as mãos dadas, ríamos como dois infelizes riem de qualquer tragédia urbana. De repente, um pouco mais cansada ela repousou a cabeça sobre meu ombro. Minhas pernas tremeram, não de frio...
Mas de calor.
Ela olhou para algo que parecia se mover dentro do lago e me disse:
_ Olhe é uma baleia! – gargalhando de alegria
Eu lhe disse, um pouco tonto, porém tentando parecer o ser racional no caso: ´´ Não existem baleias em lagos menina, é uma alucinação sua!``
_ Não, não é uma baleia qualquer, é a Laís que está nadando no lago! – disse ela caindo de joelhos no chão ao dar mais gargalhadas
Leitor, eu sei que você não entendeu a graça da piada que minha acompanhante fez. Só quero que saibas que se trata de uma brincadeira ´´ interna `` de nossos tempos de juventude. E tal fato, o fato de ela recordar de uma piada tão remota, fazia tudo parecer mais engraçado do que realmente era.
Estávamos agora longe do hotel, e também nem queríamos mais andar... Chamei um táxi e pedi para ele nos levar ao meu apartamento – jogada de mestre do solteirão aqui ´´ hein ``? É quem sabe talvez até que seja mesmo.
Encontrávamo-nos totalmente acabados ao chegar no meu prédio. O elevador abriu-se e, mal entrando neste, começamo-nos um beijo intenso, um beijo sufocante que poderia ser eterno. Infelicidade a minha que eu moro no segundo andar... Abri a porta do apartamento, ela jogou a bolsa dela no chão, beijamos novamente, e longamente. Contudo, mesmo com tanta euforia, algo me entristecia. Seria o silêncio que acompanha a noite ou ainda, a luz da lua sobre a mesa de madeira e também em cima da televisão?
Talvez certamente fosse minha consciência dizendo-me que o que eu estava fazendo era errado. Que não deveria estar me aproveitando de uma mulher tão feliz e ingênua. ´´ Cale a boca dona consciência, eu sou um solteirão! Eu tenho que ser malandro mesmo! ``. E ela era tão linda, e ela era tão cheirosa.
Caímos na cama ainda de roupa. A curva de seu abdômen deslizava sobre meu corpo e isso me alucinava. Era tudo tão mágico, nos beijávamos mais e mais intensamente, um beijo rasgado no meio da noite. ´´ Pare imediatamente! ``- disse minha consciência.´´ Cale a boca consciência! É por isso que a senhora está sozinha! Vive enchendo a paciência de todo mundo com as suas asneiras! `` – disse eu agressivamente! ´´ Eu estou sozinha porque você nunca fez um marido para mim, é por isso que eu te atazano seu infeliz! `` - retrucou a minha consciência.
Pois bem, mentalizei um homem todo ´´ bombadão `` e coloquei ele na casinha que também criei para a minha consciência. Ela dava gritos de alegria e por fim calara-se restando-me a escutar apenas alguns gemidos que hora ou outra saiam de sua boquinha minúscula.
Abraçados, sentia o perfume daquela bela mulher. Ela deu um suspiro baixo, virei seu corpo de modo que ficasse em cima dela na cama e fitei-a diretamente nos olhos. A claridade da lua mais uma vez se manifestava, agora no meu quarto deixando o ambiente tão mais inebriante.
Ela abriu suavemente a boca e disse:
_ Eu não quero...
Certo é entendam leitores. Eu poderia ter sim mentido, dito que nós fizemos amor loucamente. Sim, logicamente eu poderia ter negado o que realmente ocorreu para satisfazer a necessidade louca de sexo que vive dentro dos jovens. Mas, que graça teria a vida, ou mesmo a história, caso tudo ocorresse da maneira que nós desejamos?
Não digo que fiquei decepcionado nem ao menos chateado. Ela encostou a cabeça no meu peito e adormeceu segurando a minha mão. Aquele toque sincero e vago, aquele toque de suave acalento.
O solteirão estaria amando? Não, solteirões não amam, solteirões de vez em quando pensam que amam quando entram em crises de solidão. Nós os solteiros, vivemos com um único objetivo: destruir os corações, e quem ama de verdade são os idiotas!
Contudo, naquela noite, sentindo a respiração dela do meu lado não conseguia dormir. Era uma felicidade imensa, uma vontade de sorrir. A beleza da simplicidade se manifestava no meu quarto com ela segurando a minha mão. A fugacidade do amor que se debatia no meu peito!
Espera, nesta noite eu estou amando?
Creio que sim, que constatação horrível, eu me tornei um idiota? Talvez tenha virado sim. Mas nesta noite, sobre o céu de Brasília, realmente me senti o idiota mais feliz do mundo.



João Pedro Fernandes Sil
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